segunda-feira, 25 de julho de 2016

O FAMOSO FUTEBOL DE VÁRZEA
           
          A partir do momento em que o futebol já não é mais praticado apenas pela elite, sendo encontrado nas ruas, áreas vazias, areia da praia, entre outros locais, surge a várzea, ou as populares peladas (CALDAS, 1997). Durante muito tempo, foram esses locais que ancoraram o desenvolvimento do esporte, tornado-o um dos mais praticados (SANTOS, 2007).  
            De acordo com Santos (2007) pensar em várzea, é pensar em no lazer, nas ligas regionais, nos encontros dos finais de semana e na prática do futebol. A princípio os campos de várzea eram locais exclusivos do público masculino, não existiam iluminações, eram freqüentados geralmente finais de semana, e somente para a prática do futebol. Atualmente os espaços esportivos estão voltados para ambos os sexos, os campos sofreram melhoras e passaram a ser usado para outros esportes, o que levou alguns autores a afirmarem que os jogos de várzea diminuíram.
            Para Aduto (1999) essa prática não morreu, ela apenas modificou-se, sendo que o mesmo afirma que ainda existem centenas de campos de várzea, milhares de times. Rigo, Jahnecka e Silva (2010) afirmam que de maneira geral, as práticas do futebol como lazer, as famosas peladas, continuam ter presenças marcantes, tanto nos grandes centros urbanos, quanto nas pequenas cidades, onde, não raramente, ele é um dos poucos momentos de lazer.
            Como percebemos essa prática esportiva, não irá se acabar tão fácil. Sendo que muitos atletas profissionais surgiram desses campos de várzea, e muitos outros também irão ser descobertos nesses locais, além dos momentos de lazer que a população usufruí.



REFERÊNCIAS

ADAUTO, F. Ainda se joga futebol na Cidade com muito amor. In: DA COSTA, M. Regina (Org.). Futebol: espetáculo do século. São Paulo: Musa, p. 122- 127, 1999.

CALDAS, W. Futebol e cultura brasileira. Revista Brasileira de Campinas, v.20, n.1, p.69-86, 1997.

SANTOS, E. A representação dos campos de várzea na cidades: um espaço de memória. Revista História: Questões e Debates, v.47, n.0, p.203-215, 2007.

RIGO, L. C.; JAHNECKA, L.; SILVA, I. C. Notas etnográficas sobre o futebol de várzea. Revista Movimento, v.16, n.03, p.155-179, 2010.


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Futsal: a preferência pelo treino coletivo
            
       O futsal é uma das modalidades mais praticadas no Brasil, com forte apelo cultural (RÉ, 2008). Além de ser uma modalidade muito praticada no país, esse esporte está presente em mais de 100 países, já satisfazendo às exigências do Comitê Olímpico Internacional (COI) para ser reconhecido como esporte olímpico (ARINS; SILVA, 2007). Assim como as demais modalidade, os atletas de futsal também possuem treinos constantes, porém ainda há pouca literatura sobre o assunto.
De acordo com Chagas et al (2005) o perfil motor do jogador de futsal é caracterizado pela realização de inúmeras ações motoras rápidas, com ou sem a posse da bola. Por conta dessa movimentação, os praticantes de futsal necessitam de aspectos físicos como: resistência aeróbia, velocidade, resistência muscular e potência muscular (SANTOS FILHOS, 1995). Porém Smith (1994) chama atenção para o treinamento físico desses atletas, no qual exercícios podem ser recomendados para uns, ao passo que para outros possam ser contra-indicados.
Além dos aspectos físicos, os atletas possuem os aspectos técnicos e táticos. Nesse caso Ré e Barbanti (2006) relatam que o treinamento desses aspectos de forma isolada não apresentará resultados positivos. Arins e Silva (2007) afirmam que os treinos devem ser simulações dos jogos, ou seja, treinos coletivos, pelo fato da similaridade com as situações reais das partidas. Os autores ainda afirmam que desta forma além dos aspectos técnicos e táticos do grupo, os aspectos fisiológicos dos atletas são privilegiados.



Referências

RÉ, A. N. Características do futebol e do futsal: implicações para o treinamento de adolescentes e adultos jovens. Efdeportes, v.13, n.137, dez 2008.

ARINS, F. B.; SILVAS, R. C. R. Intensidade de trabalho durante os treinamentos coletivos de futsal profissional: um estudo de caso. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desemprenho Humano, v.9, n.3, p.291-296, 2007.

CHAGAS, M. H.; et al. Associação entre tempo de reação e de movimento em jogadores de futsal. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, v.19, n.4, p.269-275, dez 2005.

SANTOS FILHO, J. L. Preparação Física. Rio de Janeiro. Sprint,  1995.

SMITH, L.K. Avaliação da saúde. In: BLAIR, S.N.; PAINTER, P.; RUSSEL, R.P.; SMITH, L.K.; TAYLOR, C.B. Prova de esforço e prescrição de exercícios. Rio de Janeiro: Revinter,  p.151-155, 1994.

RÉ, A. H. N.; BARBANTI, V.J. Uma visão macroscópica da influência das capacidades motoras no desempenho esportivo. In: SILVA, L. R. R. Desempenho esportivo: treinamento com crianças e adolescentes. São Paulo. Phorte, 2006.


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Bodyboard: uma breve introdução de sua história

            O bodyboard, de acordo com Amado (2011), é um esporte considerado recente. O autor ainda relata que a modalidade é derivada de uma prática polinésia de surfar deitado em uma prancha feita de “alaias”, uma árvore típica daquela região. Essa prática só se tornou conhecida como modalidade esportiva no início dos anos 70 (SCHEFFER, 2010). A autora afirma que esse fato ocorreu após o então surfista americano Tom Morey partir sua prancha de surfe ao meio, utilizando uma das metade para chegar até a areia, descobrindo assim a sensação de surfar deitado.
            Segundo Andkjaer (2004) após a década de 70 houve um crescimento significativo no desenvolvimento das atividade de aventura, não sendo o bodyboard uma exceção. Nessa mesma década o esporte chegou ao Brasil através de Marcus Cal Kung, no qual o mesmo trás equipamentos de último tipo, para a época, conhecido como Morey Booogie, essa marca ficou tão conhecida que, durante um longo período, deu seu nome à prática (DA COSTA, 2005).
            O primeiro campeonato mundial ocorreu em meados da década de 80 em Pipeline, e o primeiro campeonato no Brasil em Niterói, contendo 16 participantes, entre eles uma mulher (SCHEFFER, 2010). Nesse mesmo período as grandes marcas começaram a fabricar as pranchas no Brasil, não existindo mais  a necessidades  de importá-las. Em 1985 a primeira equipe brasileira participa de um campeonato mundial.
            De acordo com órgãos que dirigem o esporte no mundo, atualmente ele envolve cerca de 2 milhões de praticantes, entre eles 500 mil são mulheres e, 2.500 são atletas federados (SCHEFFER, 2010). Em busca de mais praticantes, existem diversas escolinhas de bodyboard nas praias, podendo essa modalidade ser praticado com equipamento de baixo custo, como pranchas de isopor, conquistando assim adeptos de todas as idades e condições sociais (DA COSTA, 2005).



Referências

AMADO, D. F. L. “Programa de desenvolvimento do bodyboard no concelho da Nazaré”: Estudo de viabilização da implementação do bodyboard como atividade extracurricular no Ext. Dom Fuas Roupinho. 2011. 96 f. Dissertação (Mestre em Lazer e Desenvolvimento Local) – Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física, Universidade de Coimbra, Coimbra. 2011.

ANDKJAER, S. (2004). New trends in outdoor activities in Denmark. In: Internacional Conference on Leisure, Tourism & Sport – Education, Integration, Innovation, Cologne.

SCHEFFER, F. Um olhar sobre o bodyboarding a partir de uma revisão de literatura. 2010. 37 f. TCC (Licenciado em Educação Física) – Escola Superior de Educação Física, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. 2010.


DA SILVA, L. Atlas do esporte no Brasil: atlas do esporte, educação física e atividade física de saúde e lazer no Brasil. Rio de Janeiro: Shape, 2005.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Canoagem e o equilíbrio corporal dos atletas

        A origem da canoagem de acordo com Cuattrin (2002) é muita antiga, sendo encontrado relatos de uma das primeiras embarcações por volta de 400 a.C. Apesar de ser um esporte antigo, foram os índios norte-americanos que obtiveram maior proveito da canoagem, pois eles perceberam que com as canoas, facilitava a caça, a pesca, o deslocamento e transporte de utensílios e etc (LEMOS; et al, 2007). Porém somente em 1936, em Berlin, a canoagem se torna um esporte olímpico (NAKAMURA; et al, 2004).
        Nessa modalidade, o equilíbrio corporal é uma importante capacidade física para a estabilidade da embarcação. De acordo com Duarte (2000) o corpo humano nunca está submetido a condição de equilíbrio perfeita, oscilando constantemente, mesmo quando permanece em pé, sendo então, essa variável chamada de equilíbrio quase estático. Segundo Böhme (2003) o equilíbrio corporal é fundamental para as atividades diárias, mas principalmente para os esportes, sendo um dos componentes da aptidão física relacionado a saúde.
        Na canoagem o equilíbrio corporal do atleta pode ser prejudicado por diferentes fatores. A dor lombar é um causador desse desequilíbrio (LEMOS; SILVEIRA, 2011). A elevada carga de treinamento exigida para a melhora da técnica da remada, é um dos fatores que causam dores lombares e lesões nos atletas, sendo as lesões outro fator que afeta o equilíibrio postural dos atletas de canoagem (HENSEL; PERRONI; JUNIOR, 2006). Segundo Lemos et al (2010) esse desequilíbrio corporal influência não somente no desempenho do atleta, mas também na sua saúde.
        De acordo com Lemos el al (2009) a modalidade canoagem ainda é uma área pouco investigada no que tange o entendimento das adaptações causadas no sistema de manutenção do equilíbrio.



Referências

CUATTRIN, S. A. Monitoração da freqüência cardíada durante treinamentos e competições na canoagem de velocidade: um estudo de caso. Trabalho de conclusão de curso (Graduação em Educação Física) – Universidade Federal de Londrina. Londrina, 2002.

LEMOS, L. F. C.; et al. Metodologia para o aprendizado da canoagem. EFDeportes, v.12, n.114, 2007.

NAKAMURA, F. Y.; et al. Estimativa do curso energético e contribuição das diferentes vias metabólicas na canoagem de velocidade. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v.10, n.2, p.70-77. 2004.

DUARTE, M. Análise estabilográfica da postura ereta humana quasi-estática. Tese para o concurso de livre docência na área de biomecânica. Universidade de São Paulo. São Paulo, 2000.

LEMOS, L. F. C.; SILVEIRA, M. C. Equilíbrio quase estático de canoístas: revisão sistemática. Atividade física, Lazer e Qualidade de Vida, v.2, n.1, p.83-91, jun 2011.

HENSEL, P.; PERRONI, N. G.; JUNIOR, E. C. P. Lesões musculoesqueléticas na temporada de 2006 em atletas da seleção brasileira feminina principal de canoagem velocidade. Acta Ortop Bras, v.16, n.4, p.233-237, 2008.

LEMOS, L. F. C; et al. Equilíbrio corporal de atletas da sweleção brasileira feminina de canoagem velocidade. Revista Brasileira de Biomecânica, v.9, n.18, p.21-28, 2009.


LEMOS, L. F. C.; et al. Lombalgia e o equilíbrio corporal de atletas da seleção brasileira feminina de canoagem velocidade. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano, v.12, n.6, p.457-463, 2010.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Flexibilidade e Jiu-jitsu: uma importante relação

        O jiu-jitsu de acordo com Costa et al (2009), é uma arte milenar que possui como principais ações a “pegada”, a “projeção”, o “deslocamento”, o “estrangulamento” e as “chaves em articulações”. Os autores destacam entre outras variáveis físicas, a flexibilidade, no qual a mesma é conceituada como uma qualidade física responsável pela execução voluntária de um movimento de amplitude angular máxima, por uma articulação ou conjunto de articulações, dentro dos limites morfológicos, sem o risco de provocar lesões (DANTAS, 1995).
        De acordo com Gracie e Gracie (2004), no jiu-jitsu os praticantes aprendem técnicas baseadas nas leis da física, como alavanca, inércia, centro de gravidade, sendo necessários treinamentos voltados para força e flexibilidade. A preferência dos praticantes de jiu-jitsu nos treinos de flexibilidade, são pelo método dinâmico, sendo que este método está associado a um maior número de lesões (SOARES; et al, 2005).
Segundo Costa et al (2009) a flexibilidade se torna relevante porque, em várias técnicas, é necessário um bom padrão de mobilidade articular. Trazendo como exemplo as articulações tóraco-lombar e a de quadril, que são constantemente solicitadas, principalmente no trabalho de solo e, no trabalho de guarda, o que nos leva a ressaltar a importância do treinamento de flexibilidade na preparação física dos praticantes (SOUZA; SILVA; CAMÕES, 2005).



Referências

COSTA, E.C.; et al. Efeito agudo do alongamento estático no desempenho de força de atletas de jiu-jitsu no supino horizontal. Fitness & Performance, v.8, n.3, p.212-217, jun 2009.

DANTES, E. H. M. Flexibilidade, alongamento e flexionamento. 3 ed. Rio de Janeiro: Shape, 1995.

GRACIE, R.; GRACIE, R. Brazilian jiu-jitsu teoria e técnica. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.

SOARES, W. D.; et al. Determinação dos níveis de flexibilidade em atletas de karatê e jiu-jitsu. Motricidade, v.4, n.3, p.246-252, nov 2005.

SOUZA, I.; SILVA, V. S.; CAMÕES, J.C. Flexibilidade tóraco-lombar e de quadril em atletas de jiu-jitsu. Efdeportes, v.10, n.82, mar 2005.



sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Jogos dos Povos Indígenas

            Da condição de posse à de invasores passaram-se mais de 500 anos e, atualmente, existem vários projetos de preservações ambientais e animais, mas tem-se buscado também a preservação do índio, de seus territórios e das suas várias manifestações culturais (RUBIO; FURTADO; SILVA, 2006). Os autores ainda relatam que esse resgate pela preservação das culturas ancestrais tem sido comum aos vários grupos indígenas na busca da unificação de esforços e para o intercâmbio de informações.
            Os Jogos dos Povos Indígenas é um exemplo, cujo o mesmo teve sua primeira edição em 1996. Nesse primeiro evento participaram 470 índios, de 29 etnias (GOSSO; OTTA. 2003). Para os indígenas esses eventos representam momentos aonde se pode celebrar, transmitir a cultura, estabelecer trocas, conhecer novas formas de jogar e dar visibilidade (FERREIRA, 2006).
            De acordo com Ferreira, et al (2008) os jogos seguem rituais próximos aos dos demais eventos esportivos, como por exemplo: desfiles de abertura, porém as etnias entram com roupas típicas; a arena, locais dos jogos; tendas de artesanatos; fórum social, com convidados, visando debater diversos temas; entre outras semelhanças. Algumas modalidades também seguem semelhanças, enquanto outras possuem pequenas adaptações e, outras nenhuma semelhanças. Existem provas de corridas de toras, canoagem, arco e fleixa, além de pinturas e adornos corporais, entre outras modalidades, tudo em uma incessante troca de criações culturais das diversas nações envolvidas (RUBIO; FURTADO; SILVA, 2006).



Referências

RUBIO, K.; FUTADA, F. M.; SILVA, E. C. Os jogos indígenas e as contradições do confraternizar e competir. Revista Brasileira de Ciência do Esporte, v.28, n.1, p.105-119, set 2006.

GOSSO, Y.; OTTA, E. Em uma aldeia Parakanã. In: CARVALHO, A. M. A; MAGALHÃES, C. M. C; PONTES, F. A. R.; BICHARA, L. D. (Orgs.). Brincadeira e cultura: viajando pelo Brasil que brinca. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003. v.1.

Ferreira, M.B.R. et al. "Jogos dos povos indígenas". Relatório do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Ministério do Esporte. 2006.

FERREIRA, M.B.R. et al. Jogos indígenas, realizações urbanas e construções miméticas. Ciência e Cultura, v.60, n.4, out 2008.


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O outro lado das Torcidas Organizadas

            As primeiras torcidas que possuíam organizações eram vistas como um grupamento de pessoas que visavam apoiar seus clubes, com a utilização de instrumentos musicais, de uma forma alegre e com a utilização de uniformes (PALHARES et al, 2012). Esse grupo de pessoas eram conhecidas como torcidas uniformizadas, ou charangas. De acordo com Toledo (1996), essas torcidas tinham uma estrutura básica de organização, com o comando de uma só pessoa.
            As primeiras torcidas uniformizadas surgiram nos anos 40. Segundo Palhares et al (2012) em 1940 surge a Uniformizada do São Paulo e, 1942 a Charanga do Flamengo. Essa estrutura de organização se altera em torno de 1960. A nova organização de acordo com Sobrinho e César (2008), não são centradas na figura de uma só pessoa, como as anteriores, burocratizadas na sua estrutura organizacional, estatuídas, com presidente eleito para um período determinado, conselho deliberativo, diretoria e sócios. A partir de então o termo Torcidas Uniformizadas são alterados para Torcidas Organizadas (TOLEDO, 1996). Segundo Pimenta (1997) o Grêmio Gaviões da Fiel, com fundação em 1969 é considerada a primeira torcida organizada.
            De acordo com Carneiro e Santos (2009) torna-se visível uma massa anônima, mas que marca sua presença com faixas, músicas, coreografias e que, em determinados momentos, toma a cena para si. Homens e mulheres, de idades variadas, mas predominantemente adolescentes e jovens, aglomeram-se em nome de uma paixão pelo time. Os autores ainda relatam que embora as torcidas organizadas tenham como proposta tornar o espetáculo do futebol mais representativo da mística do clube, elas têm estado relacionadas também a episódios de violência entre torcedores.
            Infelizmente a maior visibilidade da mídia, dos autores e da população é para as ocorrências de violência. De acordo com Sobrinho e César (2009) as torcidas organizadas possuem outras características pouco comentadas e, que deveriam possuir maior visibilidade que é o suposto papel social defendido pelos dirigentes de torcidas organizadas, quando alegam que em vários momentos, nas periferias dos grandes centros urbanos, são essas torcidas organizadas que promovem o lazer, se engajam em campanhas filantrópicas e garantem a assistência médica. Para finalizar, concordando com o fator social das torcidas organizadas, Palhares et al (2012) chamam a atenção para a oferta de projetos sociais e aos serviços que as torcidas prestam para seus associados e para comunidade.
            Para melhor refletirmos faço a seguinte pergunta: será que as Torcidas Organizadas são realmente somente esses monstros que a mídia julga ser?



Referências
PALHARES, M. F. S. et al. Lazer, agressividade e violência: considerações sobre o comportamento das torcidas organizadas. Motriz, v.18, n.1, p.186-199, mar 2012.
TOLEDO, L. H. Torcidas organizadas de futebol. Campinas: Autores Associados: Anpocs, 1996.
CARNEIRO, H. F,; SANTOS, M. B. A lei e a anomia nas torcidas organizadas de futebol. Arquivos Brasileiros de Psicologia, v.60, n.3, p.104-112, 2008.
SOBRINHO, J. C.; CÉSAR, I. H. Torcidas organizadas de futebol: metamorfoses de um fenômeno de massa. LEGERE, n.3, dez 2008.

PIMENTA, C. A. M. Torcidas organizadas de futebol: violência e auto-afirmação, aspectos da construção de novas relações sociais. Taubaté: Vogal, 1997.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O preconceito contra os negros no esporte
            No Brasil o preconceito contra os negros, conhecido como racismo, é mascarada pela sua sutileza (CAMINO et al, 20010). Os autores em sua pesquisa com universitários, identificaram que a força da norma anti-racista leva as pessoas a evitarem assumir atitudes preconceituosas, mascarando o problema. Esse tema polêmico, continua sendo sustentado por mitos, meias palavras e preconceitos que acabam distorcendo e muitas vezes superficializando o debate (BURKE, 2005).
            No esporte as atitudes não são distintas. Na década de 50, em um momento de crise esportiva, ocorreu grande desconfiança por parte da elite brasileira que sentia-se insegura em ser representados por jogadores negros (CASTRO, 1995).  De acordo com Rodrigues (2004) o futebol chegou a criar um estilo único no início do século XX, no qual jogadores negros evitavam entrar em contato com jogadores brancos para não criar situações propensas a brigas e, para isso utilizavam dribles, ginga e talento.
Segundo González e Martín (2006) atualmente a presença de negros no esporte ganhando elevados salários poderia passar a impressão que no meio esportivo o racismo não existe mais, mas esse fato não é verdade. Percebemos esse tipo de preconceitos quando nos deparamos que no Brasil existem poucos técnicos, dirigentes, presidentes de federações e confederações negros. Além disso em um passado recente vários jogadores foram alvos de insultos racistas, como no caso do goleiro Aranha, no incidente atleta do Santos, que foi ofendido por torcedores com xingamentos e sons semelhantes ao de macacos. Fato semelhante ocorreu em um partida de vôlei e, deve ocorrer em diversas outras ocasiões, porém sem divulgação. Nesse 20 de novembro, dia da consciência negra, deixamos a seguinte pergunta: ATÉ QUANDO?



Referências

CAMINO, L.; et al. A Face Oculta do Racismo no Brasil: Uma Análise Psicossociológica. Revista Psicologia Política, v.1, n.1, p.13-36, 2001.

BURKE, M.L.P.Sobre Gilberto Freyre: um vitoriano nos trópicos. São Paulo: UNESP. 2005.

CASTRO, R. Estrela solitária: um brasileiro chamado Garrincha. São Paulo: Companhia das Artes. 1995.

Rodrigues, F.X.F. Modernidade, disciplina e futebol: uma análise sociológica da produção social do jogador de futebol no Brasil. Sociologias, v.6, n.11, p.260-299, 2004.

González, J.D.; Martín, P.J.J. Fútbol y Racismo: un problema científico y social. Revista Internacional de Ciencias del Deporte, v.2, n.3, p.68-94, 2006.


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Um breve histórico do início do vôlei de praia
           
          Assim como vários outros esportes, o vôlei de praia surgiu nos Estados Unidos, mais precisamente na Califórnia (JUNIOR, 2012). Segundo Afonso e Júnior (2012) esse surgimento se deu no início do século XX, logo após a Primeira Guerra Mundial. Os autores ainda afirmam que o vôlei de praia é uma modalidade derivada do voleibol. O primeiros praticantes aderiram a modalidade em forma de lazer (AFONSO, 2004) e, sendo praticado geralmente 4 contra 4 ou 6 contra 6 (JUNIOR, 2012).
            O vôlei de praia chegou ao Brasil somente na década de 30, inicialmente nas praias de Copacabana, Itapema e Leblon (AFONSO, 2004). De acordo com Vlastuin e Pilatti (2005) os primeiros praticantes eram jogadores formados nos clubes do vôlei do Rio de Janeiro que realizavam as partidas de forma recreativa. Em seguida sua prática foi difundida por toda costa nacional, para posteriormente chegar no interior do país, longe das praias (AFONSO, JÚNIOR, 2012). De acordo com os autores, em menos de 15 anos o vôlei de praia brasileiro de tornou referência internacional.
            Não demorou muito para os campeonatos surgirem, sendo o 1º mundial realizados no ano de 1987, em Copacabana (Rio de Janeiro). As duplas foram classificadas através de um campeonato, se classificando duplas do Japão, México, Argentina, Chile, Itália e Brasil, além das duplas mais conhecidas norte-americanas que foram convidadas para o competição (JUNIOR, 2012). O primeiro Campeonato Brasileiro aconteceu em 1989, sendo conquistado por uma dupla pernambucana. Em 1990 foi realizada a primeira etapa do Circuito Mundial de Vôlei de Praia masculino, disputado em Copacabana (VÔLEI DE PRAIA, 1990). A competição feminina ocorreu somente 3 anos depois. Em 1996, nos Jogos Olímpicos de Atlanta, a modalidade realizava sua estréia.
            Apesar de ser considerada uma modalidade atual, ou seja, seu surgimento foi tardio em comparação a outros esportes tradicionais. O vôlei de praia conquistou seu espaço e, muitos adeptos, sendo atualmente uma modalidade praticada profissionalmente e, em forma de lazer por muitas pessoas.



Referência

VLASTUIN, J.; PILATTI, L.A. Na ‘rede’ do vôlei de praia: um produto moderno no campo esportivo. Efdesportes, Bueno Aires, v.10, n.84, mai 2005 http://www.efdeportes.com/efd84/rede.htm. Acesso em: 13 nov. 2015.

JUNIOR, N.K.M. História do voleibol na areia. Efdesportes, Buenos Aires, v.17, n.171, ago.2012. http://www.efdeportes.com/efd84/rede.htm. Acesso em: 13 nov. 2015.

AFONSO, G.F.; JÚNIOR, W.M. Como pensar o voleibol de praia socialogicamente. Motriz, v.18, n.1, p.72-83, mar 2012.

AFONSO, G. F. Voleibol de praia: uma análise sociológica da história da modalidade (1985-2003). Curitiba, 2004. 223 f. Dissertação (Mestrado em Educação Física) - Faculdade de Educação Física, Universidade Federal do Paraná. p. 80


Vôlei de Praia (1990). Caminhos na areia. Vôlei de Praia 1(2):5-9

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O crescimento do tênis brasileiro possui nome e sobrenome.

Os esportes segundo Gaya (2006) estão divididos em quatro segmentos: o esporte de alto rendimento, o esporte escolar ou como meio para educação, o esporte de lazer e o esporte de reabilitação. Por conta dessa divisão, os adeptos buscam as práticas com objetivos distintos, dando ao esporte um significado plural e com diferentes sentidos (CORTELA et al, 2012). Os autores ainda afirmam que o número de praticantes na sociedade contemporânea cresce cada vez mais.
            O tênis não é exceção quando o assunto é o crescimento no número de adeptos. Segundo Hirota et al (2011) o tênis é um dos esportes que mais cresceram nos últimos anos, se tornando umas das modalidades mais praticadas no mundo (CORTELA et al, 2012). Segundo Teles e Salve (2004) o Brasil sofreu um aumento na demanda pela prática do tênis, após a vitória do brasileiro Gustavo Kuerten em Rolland Garros, em 1997. Após o título de 1997, vieram mais o de 2000 e de 2001 no mesmo local. Essas inesquecíveis conquistas do brasileiro impulsionaram o mercado interno, criando um movimento chamado de “Era Guga”, no qual se observou um aumento significativo no número de adeptos (MUELLER, MIRANDA, 2006).
            Após a “Era Guga” as quadras públicas, de escolas e clubes estão cada vez mais cheias e concorridos, as acadêmias de tênis têm cada vez mais alunos interessados em aprender esse esporte (TELES, SALVE, 2004). Porém segundo Muller e Rodrigues (2009) o tênis ainda é considerado um esporte de elite, sendo restrito a uma pequena parcela da população. Além dessa limitação citada, a escassez de profissionais capacitados têm ausentado o tênis do ambiente escolar, deixando de atender uma enorme parcela da população (DIAS, 2002). Apesar da modalidade conter alguns empecilhos para a continuidade do seu crescimento, fica evidente que o tênis brasileiro é um antes da “Era Guga” e, outro após as conquistas do tenista.



Referências

GAYA, A. Corpos esportivos: O esporte como campo de investigação científica. In: TANI, G.; BENTO, J.O.; PETERSEN, R.D.S. Pedagogia do desporto. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. p. 101-112.

CORTELA, C.C.; et al. Iniciação esportiva ao tênis de campo: um retrato do programa play and stay à luz da pedagogia do esporte. Revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP, v.10, n.2, p.214-234, ago 2012.

HIROTA, V.B.; et al. A influência da origem motivacional durante o treinamento de atletas iniciantes no tênis de campo. Revista Mackenzie de Educação Física, v.10, n.2, 2011.
TELES, W.A.; SALVE, M.G.C. Qualidade de vida através do tênis. Movimento & Percepção, v.4, n.4, p.28-39, dez 2004.

MUELLER, J.; MIRANDA, M. Tênis. In DA COSTA, L. Atlas do esporte no Brasil. Rio de Janeiro: Shape, 2006. p. 8.70-8.72.

MUELLER, J.; RODRIGUES, O.A.F. O tênis nas escolas: uma prática apropriada a cultura escolar. In: BALBINOTTI, C. et al. O ensino do tênis: novas perspectiva de aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2009. p. 61-79.


DIAS, J. M. et al. O ensino e aprendizagem de Tênis nos cursos de Educação Física. In: JORNADA INTERNACIONAL DE TREINAMENTO E ORGANIZAÇÃO DO TÊNIS, 4. Florianópolis, 2002. Anais... Florianópolis: NETEC, 2002. p. 105-107.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

A importância de profissionais para prevenção de lesões em praticantes de corrida de rua.

            Atualmente, existe uma crescente onda de campanhas recomendando a prática de atividades físicas. Uma dessas atividades é a corrida de rua, segundo Pazin et al (2008) essa atividade física tem aumentado significativamente nos últimos anos em todo o país. A corrida de rua torna-se popular, pois é um esporte de baixo custo e de fácil adaptação (OLIVEIRA; et al, 2012). Truccolo, Maduro e Feijó (2008) no seu estudo, relatam que o aumento do condicionamento físico e a saúde, são os principais fatores que levam os indivíduos a praticarem a corrida de rua.
            Segundo Pazin et al (2008) a prática da corrida de longa duração traz uma série de benefícios aos praticantes, porém existem implicações negativas. No caso de corredores amadores, as lesões são comuns tendo prevalência entre 14 e 50% ao ano (PAZIN; et al, 2008). Segundo Fredericson e Misra (2007) boa parte dos problemas oriundos dessa prática podem ser evitados por meio de uma adaptação adequada ao treinamento. Segundo American Heart Association (1986) a participação indiscriminada é preocupante, pois o estado físico do indivíduo deveria ser melhor avaliado, uma vez que é definido como um fator de risco primário ou maior para doença coronariana. Para evitar esses problemas, é necessário uma preescrição e um acompanhamento de um profissional da área.
            Além do acompanhamento de um profissional de educação física, existe a necessidade do auxílio de um(a) nutricionista para prevenir lesões, pois segundo Oliveira et al (2012) a nutrição na prática da corrida de rua, é um dos fatores que influência na perda de desempenho e nas lesões dos praticantes. Goston e Mendes (2011) observaram no seu estudo que o consumo de macronutrientes nos praticantes de corrida de rua, estão abaixo do recomendado, sendo inadequado para a prática. Os autores ainda afiram que uma dieta pobre em carboidrato pode afetar a massa muscular, ocasionando em baixas reservas de glicogênio no músculo, aumentando o risco de fadiga, entre outros problemas.
            Para concluirmos, concordando com Oliveira et al (2012), que chama atenção no seu estudo para a necessidade de formar uma equipe de multiprofissionais para atender praticantes de corrida de rua, auxiliando-os na prevenção de lesões.



Referências

PAZIN, J.; et al, Corredores de rua: características demográficas, treinamento e prevalência de lesões. Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano, v.10, n.3, p.277-282, 2008.

OLIVEIRA, D.G.; et al. Prevalência de lesões e tipo de treinamento de atletas amadores de corrida de rua. Corpus et Scientia, v.8, n.1, p.51-59, jun 2012.

TRUCCOLO, A.B.; MADURO, P.A.; FEIJÓ, E.A. Fatores Motivacionais de adesão a grupos de corrida. Motriz, v.14, n.2, p.108-114, jun 2008.

Fredericson M, Misra AK. Epidemiology and an etiology of marathon running injuries. Sports Med, v.37, n.5,  2007.
American Heart Association. Statement on exercise, 1992.

GOSTON, J.L.; MENDES, L.L. Perfil nutricional de praticantes de corrida de rua de um clube esportivo da cidade de Belo Horizonte, MG, Brasil. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 17, n. 1, p. 13-17, fev 2011.


sexta-feira, 23 de outubro de 2015

As consequências da iniciação esportiva precoce

            Atualmente, não é raro encontrar crianças e adolescentes sendo submetidos a treinamentos intensos e desaconselháveis para suas idades (TSUKAMOTO; NUNOMURO, 2003). Segundo os autores, isto ocorre porque existe uma crença de que se iniciados precocemente no esporte os resultados aparecerão mais rapidamente. Essa iniciação esportiva, tradicionalmente é conhecida como o período no qual a criança e\ou adolescente começa a aprender, de forma específica, a prática de um ou vários esportes (RAMOS; NEVES, 2008). Para Kunz (1994) essa iniciação esportiva se torna precoce quando  as crianças são introduzidas antes da fase pubertária a um treinamento planejado e organizado a longo prazo.
            Esse tipo de treinamento pode gerar uma série de consequências. Negrão (1984) relata que a iniciação precoce pode ocorrer no sentido contrário ao das necessidades (biológicas, motoras, sociais e psicológicas) das crianças, podendo levar ao abandono precoce da prática. Para Tsukamoto e Nunomuro (2003) o esporte de auto nível na infância e adolescência pode trazer prejuízos de natureza psicológica e de desenvolvimento social. Os autores ainda relatam que os treinamentos intensos para alcançar o alto nível, pode acarretar alterações no processo maturacional. Segundo Gallahue e Ozmun (1998) esta maturação caracteriza-se como a busca pela estabilidade através de mudanças qualitativas que se processam em dois contextos distintos: o biológico e o comportamental.
            A iniciação esportiva, mesmo que precoce, pode trazer também benefícios para o praticante, porém para que isso aconteça é necessário levar em consideração a fase de desenvolvimento do iniciante, pois se deve respeitar a necessidade de experiências para a maturação somática e ainda tomar cuidado com traumas e\ou impactos longitudinais nos membros da criança que está em crescimento (RAMOS; NEVES, 2008). Para a Féderation Internationale de Médicine Sportive (1997), a experiência no esporte contribui para o desenvolvimento físico, emocional e intelectual dos praticantes, além de estimular a auto-confiança e o comportamento social esperado pela sociedade.  
            Podemos considerar como abusivo o fato de submeter crianças, que se encontram em um período sensível, às condições estressantes de um treinamento esportivo e de competições organizadas por adultos (MARQUES; OLIVEIRA, 2002). Infelizmente, esse tipo de procedimento ainda é comum, e assim continuará sendo enquanto muitos técnicos e pais insistirem em tornar crianças miniaturas de atletas (SOBRAL, 1993).



Referências

TSUKAMOTO, M.H.C.; NUNOMURO, M. Aspectos maturacionais em atletas de ginástica olímpica do sexo feminino. Motriz, v.9, n.2, p.119-126, ago 2003.

RAMOS, A.M.; NEVES, R.L.R. A iniciação esportiva e a especialização precoce à luz da teoria da complexidade – notas introdutórias. Pensar a Prática, v.11, n.1, p.1-8, jul 2008.

KUNZ, E. Transformação didático-pedagógica do esporte. Ijuí: Unijuí, 1994

NEGRAO, C. E. Os mini-campeões. Medicina & Esporte. Rio de Janeiro, v. 1, n. 2, p. 27-31, 1984.

GALLAHUE, D.L.; OZMUN, J.C. Understanding Motor Development: infants, children, adolescents, and adults. Indianapolis: Benchmark Press, 1998.

FÈDERATION INTERNATIONALE DE MÉDICINE SPORTIVE. Treinamento físico em crianças e adolescentes. Revista Brasileira de Medicina Esportiva, São Paulo, v. 3 n. 4, p. 122-124, 1997.

MARQUES, A.T.; OLIVEIRA, J. Esporte e atividade física: interação entre rendimento e saúde. In: BARBANTI, V.J.; AMADIO, A.C.; BENTO, J.O.; MARQUES, A.T. O treino e a competição dos mais novos: rendimento X saúde. Barueri: Manole, 2002. p. 51 –78.

SOBRAL, F. O estado de prontidão desportiva – uma questão crucial do desporto infanto–juvenil. Revista Horizonte, Lisboa, v. 10, n. 58, p. 133-137, 1993.


sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Skate feminino: uma história de desigualdade, preconceitos e conquistas.

            O skate pode ser considerado uma das práticas esportivas que mais adquiriu visibilidade nos últimos anos, porém quando se fala de skate, logo associamos ao universo masculino (MACHADO, 2013). O autor não associa o esporte as mulheres, pelo fato de que o skate exige demasiado esforço e resistência, além de ser visto pelo senso comum como perigoso e, de risco físico, características julgadas masculinas. Discordando do o autor citado anteriormente, Araújo (1999) relata que em 1970 nos EUA já existia skate feminino, e que no Brasil em 1980, o skate feminino possuía algumas representantes, que não prosseguiram na carreira por falta de incentivo.
            Uma das representantes do skate feminino na década de 80, era Leni Cobra. A atleta segundo Figueira e Goellner (2009), contribuiu muito para o crescimento do esporte, abrindo portas para o skate feminino. Leni foi a primeira campeã brasileira da modalidade em 1987. O campeonato brasileiro de skate feminino decaiu, voltando a ganhar força somente em 1995, quando foi realizado a primeira competição da década, tendo como vencedora Giuliana Ricomini (GOELLNER; JAEGER; FIGUEIRA, 2010). Segundo Leine (2005) muitas coisas mudaram no skate feminino no decorrer dos anos, e apesar de muitas barreiras serem quebradas, o skate feminino tem muito o que evoluir.
            Dentre as evoluções necessárias, Leine (2005) relata que falta aos organizadores colocarem a categoria feminina com premiação justa igual a masculina, falta as meninas se unirem mais, falta os meninos darem mais chance para as meninas nas pistas, entre outras evoluções. Dentre essas outras evoluções, está presente um maior apoio dos meios de comunicação, pois os mesmo ainda enxergam o skate como sendo somente do universo masculino. Figueira e Goellner (2009) trazem como exemplo o Circuito Internacional de 2005, no qual algumas revistas relacionadas a modalidade trouxeram nas suas colunas apenas os títulos dos homens que venceram aquele circuito, sendo que a atleta Karen Jones também obteve o título e , nem se quer teve seu nome mencionado.
            Esses fatos são lamentáveis, tendo em vista que o crescimento do números mulheres praticando skate vem crescendo. De acordo com uma pesquisa realizada pelo instituto Datafolha, divulgada em março de 2010, estima-se que exista aproximadamente 3.860.000 praticantes de skate no Brasil, sendo 10% deles mulheres (MACHADO, 2013). Apesar da desigualdade, Machado (2013) relata que a mobiliza feita pelo skate feminino vem surtindo efeito, dando como exemplo a organização do x-games, que revelou que a partir de 2008 a premiação atribuída para as mulheres seria semelhante as dos homens. Além disso aos poucos surgem publicações, vídeos, produtos voltados as skatistas, sendo possível visualizar nas ruas mais mulheres sobre as quatro rodinhas.



Referências

MACHADO, G.M.C. As mulheres e o “carrinho”: gênero e corporalidade entre as skatistas. In: Seminário Internacional Fazendo Gênero, 10., 2013, Florianópolis. Anais Eletrônicos, 2013.

ARAÚJO, L. Evolução. Check it out girls, Los Angeles, v. 6, p.1-3, dez. 1999.

FIGUEIRA, M.L.M.; GOELLNER, S.V. Skate e Mulheres no Brasil: fragmentos de um esporte em construção. Revista Brasileira de Ciência do Esporte, v.30, n.2, p.95-110, maio 2009.

GOELLNER, S.V.; JAEGER, A.A.; FIGUEIRA, M.L.M. Mulheres e Esporte: invisibilidade visíveis no skate e no fisiculturismo. Revista Gênero, v.10, n.2, p.293-310, 2010.


LEINE, E. Skate não é só para meninos. Revista 100% Skate, Ano 10, n. 85, abril de 2005.